e tenho medo de ficar maluca.
15 de jun. de 2010
medo
e tenho medo de ficar maluca.
9 de jun. de 2010
durante a aula
gosto de azul. antes não gostava, mas agora eu gosto. gosto de liberdade e de filmes. gosto de cabelo pra cima, verruga na ponta do dedo, nariz grande. gosto de gente que ri e chora ao mesmo tempo, gosto de me sentir longe. gosto de gosto de maracujá. gosto de samba, de vender coisas inúteis, de desenhar, de escrever. gosto da ana e do jeito que ela fala. gosto de chuva de verdade e não aquelachuvinhabobinhaquenãomolhamasincomoda. gosto de comer salgado depois doce depois salgado e doce.gosto de inventar histórias pro meu primo e ver que ele não acredita. gosto de vermelho e de roxo e de verde e de branco e de morango. gosto de conhecer gente que parece que eu já conheço. gosto de inverno, mas só quando estamos no verão. gosto de verão o ano inteiro.
gosto de mimir delicinha com o babababababababa e de incenso de um real.gosto de ir na casa da minha vó e perceber que sempre foi igual e nunca mudou, mas que na verdade mudou sim. gosto de ler vários livros ao mesmo tempo e não terminar nenhum. gosto de domingo, juro que gosto. gosto porque domingo pode ser qualquer coisa.
gosto de vela que já derreteu, de cheiro de manjericão e de cadernos que não tem linha pra escrever. gosto do ronron da gatinha bem pretinha.
gosto de lembrar do que eu não me lembro direito. gosto de tinta, gosto muito de tinta, não sei porque gosto tanto de tinta assim. acho que é porque tinta também pode ser qualquer coisa, que nem o domingo e que nem os filmes e livros pessoas e domingos e tintas...
gosto de coisas que podem ser qualquer coisa.
acho que gosto de qualquer coisa.
9 de mai. de 2010
Pausa
Olhou pra cima. Pro teto. Ficou triste pelo falo de ser um teto e não um lindo céu estrelado. Percebeu que quase sempre é um teto. Ficou algum tempo pensando sobre pensar e então percebeu como era estranho pensar sobre pensar e pensou sobre o pensar do seu pensar e só parou quando apertou olhos com as pontas dos dedos e aí não pensou em nada. Pensou sobre não pensar em nada.
Lançou um olhar de preguiça e desespero para o resto do quarto e lembrou do que tinha que fazer quando o tempo parasse de parar. Examinou as unhas ruídas. Fechou os olhos. Algumas imagens dançaram pela escuridão do seu interior, fizeram piada, bateram palmas, sorriram e foram embora. Começou a imaginar-se daqui a alguns anos. Não conseguiu decidir se queria ter cabelo curto ou comprido e então parou de imaginar.
Abriu os olhos. A claridade a incomodou. Fechou os olhos. Percebeu um vazio interno. Não se impressionou, este ela conhecia há tempos, mais ou menos o mesmo tempo que conhecia a si mesma. Ele tinha dois melhores amigos: o Frio na Barriga e a Palpitação. Andavam sempre juntos e, na verdade, não eram muito legais não.
Respirou fundo. Sentiu-se completamente envolta pelo nada. Abraçou essa incerteza e, por alguns instantes, se sentiu lisonjeada por aquela sensação. Naquele momento, ela sentia o mundo.
Abriu os olhos. Sorriu. Deu corda no tempo e ele voltou a funcionar.