sobre o que eu falaria se não tivesse nada pra falar agora
bom, começaria por essa semana confusa, esse ano de marte tá
me deixando vermelha demais. falaria sobre mais uma vez essa dor conhecida,
esse nó no peito, essa mania de se jogar de precipício em precipício, mesmo que
isso não se refira e nenhum ofício, porque oficialmente eu não tenho ofício.
falaria sobre todas as angustias que me rodeiam sendo mulher, jovem, brasileira
e estando sozinha no mundo, como todas as mulheres, jovens e brasileiras estão.
poderia também falar sobre o amor. essa coisa linda maravilhosa
que só tem seus efeitos verdadeiramente experenciados quando estamos de peito
aberto, mente sã, porque o amor na confusão só se torna mais parte dela. e é
isso que eu vejo a maioria das pessoas fazendo com o amor: jogando ele na sua
própria confusão e o misturando com um bocado de coisas não tão lindas e eles
acabam procriando (sabemos que tudo que fica junto muito tempo procria) e os
filhos do amor do amor com a a confusão podem ser a própria arte, mas podem
também ser pequenos monstrinhos com bocas que comem o eu.
poderia falar sobre o sol lindo que eu vi hoje a tarde e
como é bom estar longe de casa para poder pensar. ou sobre a saudade que pesa
enquanto afunda, dói no peito uma dor constante de distancia. e é claro, eu
poderia falar sobre mim, assim como todas as coisas que eu falo, pois elas não
são outra coisa que não eu
mas não. há que se dizer mais
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